PARA A DESLEITURA DO POEMA
a Fred Caju
depois de feito,
posto,
o poema é osso
deleite-se
em colosso
(conosco)
(Assis Freitas)
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POETA CAJU
Versos, os faz como poucos
Da palavra fez-se atleta
E ainda descola uns trocos
Voa além da lucidez dos loucos
Quanto a andar de bicicleta
Aprende, vai, Poeta!
(S. R. Tuppan)
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(para Fred Caju)
seu Juca, nordestino de prestígio, costumava dizer
que levou a vida criando cajueiros no quintal
quando passou dessa pra melhor,
como costumava dizer que ia fazer,
foi enterrado ali, no pé das árvores.
a filha cumpriu o desejo do pai porque
ele sempre costumava dizer
com ar sério e muito bom humor :
― quando a vida ceder espaço ao inverso,
vou querer ser um caju.
(Lucielle Wiermann)
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SALVE CAJU
Salve poeta do céu azul terrestre,
De nome de fruta campestre,
Criador de joias brilhantes,
De viagens alucinantes
Com verdadeiros toques de mestre.
(Kleves Gomes)
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MATERIALIZAÇÕES VISUAIS (I, II, III e IV)
(Felipe Agulha)
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Sábado
Eu sumo.
Acordo e me aprumo...
Salto a linha do solo
E me aqueço
Longe do rumo
Que conheço.
E lá de fora
Dos eixos,
Como sumo
De Caju
E me deixo.
Ao Poeta Fred Caju pelo feito.
(Todo dia é dia de Sábados de Caju)
(Daniele Negreiros)
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fred caju
red caj
ed ca
d c
c d
ac de
jac der
ujac derf
(Alberto Ferrera)
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MARCO ZERO TEMPORAL
(Ao poeta Fred Caju)
Nativo do quando
Meu tempo é hoje.
Minha idade é memória,
Sou presa e sou caça.
Só vivo o agora.
(D.Everson)
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Ei fiz até uma poesia pra tu
O D.A. sem o Negão é como
O Fred sem o Caju
É minha a minha sem ter rima.
É pensar no amigo e não ter ninguém
É carregar passagens e não ter o VEM
É ser irrelevante e não ter inimigo
É entrar numa roda e ser só de amigo.
É imaginar uma ave e pensar num guiné
Imaginar um donzelo e não pensar em Vagner
Não bater cruzada e fechar o jogo
É fazer isso e não ser considerado um tolo.
É fazer amigos e eles serem imparciais
É fazer História fazendo Ciências Sociais
É ser Kiki sem ser do Krak
É vender uma pedra q não pode ser um brite.
É ser poeta sem talento
É ter amigos e ficar ao relento
Conhecer o Negão sem suas poesias
Conhecer um metedor sem suas fantasias.
(Kiki do Krak)
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FRED CAJU
Tem sua sina
de doses diárias
de cajuína
(Cristiano Marcell)
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este poeta eu apresento
num prefácio bem estranho
ele não fala de amor
o que muito me faria
bem fiz ao pensar
que certas verdades
ao contrário de para outros
homens e tacanhos
não se dizem ao gozar
e sim em ser humano.
(Raquel Stanick)
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NO ALTO DO BIGODE
(A Fred Caju)
Bendita hora que faltou luz,
Lá no Alto do Bigode,
Demorou um mês para voltar,
E um menino, entediado, não tinha o que fazer,
Era o único que estudava no contraturno,
Não viu Cavaleiros do Zodíaco,
E sua mãe perdeu a novela
Naqueles dias de marasmo, sem poder sair de casa,
Devorou cada linha dos treze volumes
Dos romances da pós-revolução francesa,
Empoeirados na estante velha
E, às vezes, a luz da vela,
Concluía as últimas linhas
De um livro de Alexandre Dumas
Bendita hora que a escuridão fez a noite,
Que cessaram os televisores e os aparelhos de som,
Que muita gente reclamou a Celpe
E outros fizeram protesto
E aquele menino, lá do Alto do Bigode,
Ainda não tinha ideia, que naquele exato momento,
O sol iluminava um poeta!
(Lucas Holanda)
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A UM SUJEITO CHAMADO CAJU
Caju, você não me engana,
Conheço bem o seu tipo,
Recitador e pé-de-cana
De palavreado bonito
Eu te conheço bem, seu sacana,
E você pode enrolar quem quiser,
Menos a mim, porque lorota boa
é assim, feito fruta tirada do pé
Eu vou lhe dizer uma verdade,
E pra quem mais quiser escutar
Ouçam, meninas de pouca idade,
Que é para os olhos iluminar
Esse Caju, não é rapaz direito,
Desses que sua mãe procura,
É amargoso e cheio de defeito,
E nem parece fruta madura
Essa historinha de poeta marginal
Falando das dores do planeta
É só história para comer buceta
E fazer alguém chupar seu pau
(Inácio Carranca)
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O CAJU (Anacardiaceae)
A semente do caju é externa:
Fica lá pra todo mundo ver.
Nem faz caso de sua nudez!
Ao contrário, sente orgulho
De ser exibida por tão tenro fruto
Que nos oferece generosamente seu interior.
Quase que tem vida própria,
Essa semente ousada
Que não depende de nada
E pode até matar a fome ― do corpo e da alma
E o caju, contemplado tal criatura
Companheira sua desde o chão fecundo ― de onde nasceu
Se ri da agregada prazenteira
E termina por verificar
Que, afinal, não tem par
Nisto tudo neste mundo.
(Su Araujo)
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XXIV CANTICO A SAUVA (OU Y POR FALAR EM SARDADE) – A Fred Caju, Poeta do
Ranço Literato
SAUVA CAJU
POETA DOS SABADOS
POETA DAS CRON!CAS
ESTET!CA NA PUES!A. . .
POETA Q FAZ
DOS SEUS VERSOS
S U M O,
SUMO ESTE Q MARCA
NA NOSSA
LEMBRANÇA
O Q E TUA POES!A.
D!GO
Q
ES
O POETA
DO
RANÇO
L!TERATO
QUANDO POE
NA NOSA
GARGANTA
AQUELE AMARGOR
EXPLENDOR. . .
QUANDO FAZES
DE CADA L!NHA
UMA AVEN!DA
PRA DESF!LAR
S!GNOS-LETRAS
PELA TUA POES!A.
SAUVA POETA
DE BELA ESTET!CA
FORMATO FRUTA
M A D U R A,
DURA REAL!DADE
MA!S DURA A!NDA
A POET!CA,
DESTE POETA
Q BROTA VERSOS
ATE NU ESTERCO
SOLO DO SERTAO
SAUVA CAMARADA Y !RMAO. . .
c.p.b.p.jr: (POETA-MATUTO-MARG!NAL!!!)
VII-VII-MMX
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CONTROLE
Aos poetas e pensadores:
Aluisio Martins, Fred Caju e Jairo Cerqueira,
pela inquietação de ser, viver.
Nós
corríamos no meio do mundo. Plenos. Minha mãe sempre à frente, com algum cabelo
solto e sorrisos, levando-nos a correr, correr, sem cansaço, com alma e
delírio, para que bebêssemos mais da vida a essência toda, juntos, meus três
irmãos ligeiros e eu, olhos em tudo, entregues ao acaso, porque era gratuito e
era nosso único jeito de existir com alegria, correndo. Então correr não
iniciava, não findava; para nós era como imaginávamos uma família naquilo.
Nossa mãe era daquele jeito que corria alheia e sorria, e isso tinha ajuste
para nós, nosso código de enxergar. E não importava o modo como as pessoas nos
enquadravam em suas censuras: ‘essas crianças suadas, eufóricas, sorridentes,
soltas’. Era só essa coisa que nos deixava felizes, com demência, com paixão.
Todos diziam disso que não colava no mundo uma brincadeira assim de correr
pelas ruas, de mãe com filhos, de qualquer jeito, ao ar. Viver, preconizam,
exige seriedade e susto, isso é assim; tão desse modo que se repete desde que
há história. Mas corríamos como se não ouvíssemos e fôssemos mais que o mundo
todo a gritar, e éramos, pois tínhamos uma mãe com um sorriso para os dias, com
um vestido ao vento e com amor para nosso sempre de criança, e nisso havia o
brilho dos meus olhos, e vivíamos, bastante. E eu como era o mais novo
daquela distração de existir, o que menos sabia os caminhos, mais a mim
deixavam o ofício de guiar as brincadeiras, só para sermos mais do devaneio e
da falta; para sorrirmos ao fim do dia sem saber. É verdade que não avançávamos
lugares nem pódios sociais, apenas corríamos, e incomodávamos porque
retirávamos das ruas outro gás, irrespirável para muitos, e conseguíamos sorrir
com o sol só por ser manhã, loucura, talvez. Então vieram as regras do mundo,
em marcha, com amarras e seringas, e guardaram minha mãe dentro de uma casa de
repouso para que não mais corresse sem razão pelas horas, feliz e alheia, que
não pode, e foi lá onde ela nunca repousou do coração que só tem euforia. E
naqueles que ficaram meninos e sozinhos, acolhidos em lares encomendados, não
houve palavra que remendasse a tristeza. Não sei ao certo o que dizer do resto
que foi para cada um continuar nisso, viver, porque no caminho dos dias, o
mundo, feito dessa tristeza normalizada, em geral, só diz que é disciplina e
sociedade, mas é controle mesmo... e não há medida pronta que nos restitua
correr daquele jeito, alheios, felizes, soltos, plenos de distração.
(Ricardo Fabião, Julho - 2010)
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TUAS PALAVRAS
A Fred Caju
Letra por letra, tuas palavras exalam os perfumes mais suaves,
como as belas rosas. Entretanto, elas também denunciam venenos
que entorpecem o mundo. Pétala por pétala, numa síntese mágica
de alegrias e tristezas. Bálsamo que envolve os meus sentidos.
Verso por verso, tuas palavras desenham arco-íris de emoções a
colorir os dias e as noites de minha vida. Afagando meus olhos
numa dinâmica de luz e sombra. Cor por cor, ao misturar tintas
de sonhos e ilusões... Colorido incandescendo brumas, paixões.
Estrofe por estrofe, tuas palavras despertam o que há de pior,
e melhor, em mim... Ao contemplar todos os vícios, mas também,
todas as virtudes. Erro por erro, levando-me a cada um de meus
acertos. Aprendizado vital diante da tessitura de meus versos.
Poema por poema, tuas palavras invadem minhas veias, percorrem
todo o meu corpo. A flutuar entre espaços nítidos, e secretos,
de minha alma. Órgão por órgão, deslizando através de lágrimas
e sorrisos. Anatomia de rimas dentro-fora do corpo só coração.
Página por página, tuas palavras projetam sentimentos, cidades
ruas e destinos. A caminhar por entre portas, janelas e vastos
labirintos. Imagem por imagem, reconstruindo os passos de cada
um de nós. Guiando-me por trilhas de versos, estrofes, poemas.
(Ane Montarroyos)
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À MODA CAJU
Para o poeta Fred Caju
Poesia ligeira salta fagueira a lápis e hidrocor...
Enche a folha de gaivotas num ÃO cheio de TIOS.
E a deusa, musa ou estátua de sal solta um grito
Mantra e tal, decassílabo bossal.
E o poeta cajuinado sorri:
Não tenho nada haver com isso (ponto final).
(D. Everson)
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O GRANDE POETA
Fui vê-lo. Todos falavam dele com admiração, seu nome é Fred Caju. Todos os
dias ao chegar à faculdade para assistir as aulas encontro seus poemas no
quadro negro, que é branco, mas isso não importa. Era o maior poeta que cruzou
meu caminho. Ainda com menos de 25 anos e famoso em toda a UFPE. Talvez seus
livros mais conhecidos fossem Poemas de Gaveta e Jardim da Ausência. Tinha
recitado seus poemas por toda a faculdade e nos bares ao redor também.
Subi os degraus do CFCH as 18 e 05 da tarde ― ou da noite, como queiram ― de
uma sexta-feira. Cheguei ao segundo andar. Peguei-o com a mão na massa, bem na
hora que ele escrevia um de seus poemas no quadro. O poema eu lembro como se o
estivesse lendo agora. Parece até que estou vendo.
UM FINAL A DOIS
A hora chegou, querida.
Divide comigo tua vida,
já estou desesperado,
velho, só e cansado.
E cadê você ao meu lado?
Não foi esse o combinado.
Deixa isso pra depois
e vamos ter um fim a dois...
Envelhece junto a mim
me acompanha para o fim.
Ele tomou um susto quando entrei na sala. Ele estava bebendo enquanto escrevia
seu poema no quadro; e como não pode beber, se fez de assustado.
― Que porra é essa, cara?
― Que porra é essa? Digo eu ― Respondi.
― Você chegando assim desse jeito parece até que trabalha na coordenação do
Departamento de História. Sujeira e das grandes.
― E você é que é o grande poeta?
― Eu?
― Você sim.
― Quem disse isto?
― Eu vejo seus poemas escritos por aí e me agrada bastante. Tá todo mundo
falando dos seus poemas. Falando bem por sinal.
O cheiro de bebida estava tomando conta do recinto. Não havia como disfarçar.
Quando a aula começasse todos saberiam que havia ali alguém bebendo.
― Acho melhor, cara, você abrir essa janela. O cheiro tá te denunciando. Acho
que sua carreira de poeta marginal, subversivo e transgressor vai acabar com
uma chamada da coordenação. Termina logo isso aí e vamos trocar uma idéia lá
embaixo na área de convivência que construíram há pouco.
― Massa, já terminei. Vamos pro Bigode ― respondeu o poeta.
O Bigode é um bar que fica ao lado da faculdade.
Chegando ao bar, fizeram a maior festa com a chegada do poeta. Meninas gritavam
o seu nome e não o seu pseudônimo. Na verdade até agora não mencionei o seu
nome e sim o seu pseudônimo. Alguns caras que chegavam sabiam os seus poemas e
recitavam-nos como se fosse a mais bela saudação, como a dos cavaleiros
medievais que saúdam um antigo companheiro de batalhas heróicas.
Todas as mesas estavam ocupadas e resolvemos ficar do lado de fora do bar.
Atendiam lá também. Começamos na cachaça com mel. E eu logo pedi para entrar na
cerveja. Ainda tinha de voltar para a aula. Caju continuou na cachaça e não
voltou à faculdade. Enquanto eu tive que voltar e assistir o resto das aulas,
pois estava pendurado e não podia faltar. No bar estava muito agradável, Raul
Seixas rolando na vitrola de fichas e o grande poeta recitando suas fantásticas
poesias.
Quando considero alguém grandioso é por que acho impossível de fazer com o
mínimo de beleza o que essas pessoas conseguem fazer com tanta simplicidade e
genialidade. Dostoiévski, Bukowski, João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues
e tantos outros, ou melhor, que são poucos por sinal, que escrevem com tanta
habilidade. Não estou comparando ele a esses grandes da literatura, mas por que
não compará-lo aos grandes?... Só por que ele não é famoso fora da faculdade?
O cara é grande em tamanho ― perto de 2 metros ―, e por fazer o que faz com as
palavras é maior ainda. Mas, antes que eu saísse do bar, um maluco que acabara
de chegar pediu ao Caju que recitasse o famoso poema chamado Bananinha cozida.
Caju recitou com muita primazia.
BANANINHA COZIDA
Bananinha cozida
com açúcar e canela.
O aroma dançando
e saindo pela janela.
Talhares arrumados
de forma paralela.
Mas, cadeira vazia:
ainda falta ela.
Hoje eu vou é rezar
e visitar à capela,
escolher um santo
e acender uma vela
pra aumentar a sorte
e espantar a mazela.
Quero em meu jardim
as flores mais belas,
para fazer um buquê
tal qual uma aquarela,
totalmente colorido
e entregar pra cadela
e fingir que a amo
pr’uma foda daquelas.
Enquanto penso nisso
a banana amarela
esfria em meu prato
rodela por rodela.
Fui totalmente extasiado com a poesia do grande poeta e totalmente derrubado
com a cachaça com mel. Nada derrubava aquele gigante poeta. Quanto mais bebia o
seu declamar ficava mais vivo e cheio de vigor e beleza. As mulheres do bar
deliravam com sua voz de trovão e com suas poesias que exaltavam a vida e não o
levar da correnteza que é se deixar viver somente em busca da morte, do fim,
sei lá. Já até perdi o fim da meada. Será que essa história já teve um?
Mas voltando a aula fiquei lembrando o poema da bananinha, das pessoas
ovacionando o seu talento e com o pouco que eu conheci do poeta o tornava
fantástico.
A aula terminou às 22 e 5 e ao me dirigir ao ponto de ônibus fico pensando o
que poderia tornar uma pessoa um poeta. Logo após esses pensamentos, consegui
perceber que tinha algo de inexplicável em se tornar o que se é. Deixando pra
lá essas indagações fiquei frustrado por não ser um artista.
Ao chegar ao ponto de ônibus, quem eu encontro num estado etílico avançado e
com uma embriaguez medonha?
Caju, claro, nem preciso, e nem sei fazer, suspense.
― E aí cara ― falei ―, tudo massa?
― É... Tá tudo certo, respondeu.
― Porra, tá tudo certo mesmo? ― retruquei.
― Tá sim.
O poeta não parecia nada bem. Parecia mesmo que estava destruído. Parecia que
estava em um transe alcoólico tão grande que nem me reconhecia, mas de uma hora
pra outra vomita. O esguicho sai em direção ao meu pé sem ter tempo de me
avisar. Dou um pulo e consigo me esquivar. Nenhuma gota do vômito do poeta me
atingiu. Poeta que vomitava poesias tão belas, que vomitava talento, quase
vomitou no meu pé.
Com isso o grande poeta se recuperou em grande parte de sua embriaguez
dionisíaca e parecia que tinha nascido aquele momento. Voltou a conversar como
se fossemos amigos há várias décadas.
Em poucos instantes o seu ônibus chegou. Ele partiu me deixando em contemplação
da energia de sua poesia vigorosa. Deixando-me também a imaginar se um dia ele
iria ser famoso o bastante, com uma fama do tamanho do seu talento.
Ao tomar o ônibus que me levaria até minha casa fui imaginando como nasce e
morre um poeta de verdade. Não consegui nenhuma conclusão. Pensei em minha vida
e achei-a muito chata. Fiquei com preguiça de pensar mais e resolvi escutar
música que tocava no ônibus. A música era horrível e voltei a pensar, em que...
Eu não lembro mais. E só.
A vida continua...
(Ricardo Diniz)
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TRÉPLICA
Já que utilizo sempre a canetinha
Lhe digo, com humildade
Que a prosa nem sempre é minha
Mas tento sempre dizer a verdade
Caju, o poeta do Bilu Bilu
Não escreva mais asneiras
A pauta aqui é tu
Passe a dizer coisas verdadeiras
Castanha, homem humilde
Faz puisia e não quer fama
Não quer dinheiro, talvez cama
Cerveja gelada e sempre uma dama
Caju, faça um favor
Digo-lhe, não obstante
Cuide dos homens com muito amor
E as mulheres, deixe que eu ame.
(Tonho Castanha)
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SONETO AO CAJU E À CASTANHA
Caju é fruta bem quista e cheia de graça
Vai muito bem como tira gosto da cachaça
Dele chupam a rodela ou passam a língua
Quem não gosta de Caju, morrerá à míngua
Há quem diga que fruta é Castanha e não Caju
Fruta ou não, são tira gosto de vodka e pitu
Do Oiapoque ao Chuí, ou até em Pantanha
Chupe a rodela do Caju e coma a castanha
Suco de caju é cajuína
Quando Ednaldo tira a barba
Fica com cara de menina
Não sou de escrever poesia
Mas se você gostou dessa
Tome cinco, pegue na minha
(Vanderson Abaixaki)
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ODE AO NEGO BOM
Eu lhe trouxe este presente
porque me fez lembrar você.
Estes 40 confeitinhos,
Repesentam os 40 cm
do Edinho que é seu
bem querer.
Existem vários Nego Bom,
mas o melhor é você.
Meu amigo Do Carmo Jr.,
parabéns pra vós mercê.
(Toni Furico, 06/08/2009)




O GRANDE POETA
ResponderExcluirhahahahaha longe de todos os poetas que escreveram sobre Caju foi o mala do Ricardo quem mandou melhor hahahahahahaa
"Chegando ao bar, fizeram a maior festa com a chegada do poeta. Meninas gritavam o seu nome e não o seu pseudônimo." hahahahahahahahaa
"O esguicho sai em direção ao meu pé...." até então eu pensava que era de Aurélio ou do propio Caju esse texto, mas depois do sapato vomitado não tinha mais dúvidas quem fora o mala que escreveu o conto hahahaha
muito bom cara, digno do velho escroto Russo... Tirando o "plural em: Meninas gritavam [..]" kkkkkkkk penso que todo resto e principalmente a parte alcoolica são fatos verídicos kkkkkkkkkkkkkk
Esse blog é memo uma viagem...
mais agora começo a pensar que a parte das mulheres se tornou real: só tem mulher aqui nessa birosca de blog! kkkkk
com tanta mulher por aqui vou sempre aparecer kkkkkk quem sabe não sobra aí as que não fazem o tipo do poeta! hahhahahahahahaha
OBS: A parte das mulheres sobrando é na vera, pode dá o número do meu telefone a elas 9219 **** kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Depois de tanto ver o blog, hoje que descobri essa aba,ahahha.
ResponderExcluirUm abraço pra tú, Caju!
Homem fruta,
que alimenta a alma
e alegra nossa labuta.
pra tú botar aí negão:
ResponderExcluirfred caju
red caj
ed ca
d c
c d
ac de
jac der
ujac derf
a formatação saiu errada; tem q ficar com formato de ampulheta.. sacasse???
ExcluirUau!!! Cabra mas tu é homenageado hen? Poxa, q eu nem sabia!!!
ResponderExcluirBotei fé demais... ainda mais, heheheh
abraço carinhoso. E bora ler um por um ...