Não entendo porque
tanta dor,
a vida parece ser fácil,
porém, todo mundo reclama;
os humanos pensam que o amor
está limitado a uma cama.
Com tanta preocupação inútil,
esquecem do mais importante,
lamentam a falta de tempo,
inventam algum valor fútil,
amarguram-se em sofrimento.
Eu vejo a vida passar calma
sem encontrar nenhum problema;
tenho pouco tempo de vida
e não irei sacrificar a alma
reclamando que estou esquecida.
Acho graça nesses humanos:
levam a vida muito a sério,
interrogam o seu futuro,
nunca querem mudar os planos
em seu caminho longo e duro.
O que me deixa impressionada
é o modo como se comportam:
mudam como mudam de roupa,
ninguém fica sem vestir nada,
pois a sua pele é muito pouca.
Enquanto o feroz tempo passa,
os humanos vão se perdendo,
poucos conseguem se encontrar;
eu me pergunto se essa raça
sabe o que realmente é amar.
Não mostram os seus sentimentos,
eles se escondem em seu medo,
entretanto querem ser vistos;
concluo com os meus pensamentos
que esses humanos são esquisitos.
Também acho muito engraçado
o modo que tratam os filhos;
querem que eles façam o certo,
enquanto fazem tudo errado,
além de não estarem por perto.
Acho que a culpa é da solidão,
para os humanos terem medo;
dizem ser a raça racional,
mas não têm nada no coração,
e dizem que eu sou o animal.
Os humanos têm que aprender
que a vida pode ser mais simples;
não usarei meu tempo precioso
ensinando-os como viver,
pois já sou feliz com o meu osso.