A lua vai virar um sorriso,
(minguante, para ser preciso).
Rindo sem nenhuma alegria,
a lua desaparece aos poucos;
enquanto isso, cresce a agonia
dos românticos e dos loucos.
— A lua desaparece do céu,
a poesia fica mais cruel.
Não consigo ver meu futuro,
a lua é nova e o céu está escuro.
Vou procurar algum abrigo,
no qual eu possa me esconder;
vou procurar algum amigo,
no qual eu possa me acolher.
— Neste céu sem nenhuma lua,
a poesia caminha na rua.
Eu permaneço descontente,
a lua, como a dor, é crescente.
Tento fugir deste abandono,
mas nunca consigo escapar;
há noites que perdi meu sono,
que perdi a razão de sonhar.
— A lua cresce cada vez mais,
a poesia descansa em paz.
O ápice da dor do poeta:
a lua, enfim, está completa.
Bom para todos os amantes,
mas não para quem tem saudade
daqueles que estão mais distantes
da sua própria afetividade.
— Enquanto a lua concebe a cura,
a poesia leva à loucura.
Em todas as fases lunares,
ela é a rainha dos mares.
De uma maneira quase mágica
controla o nível da maré,
minha quantidade de lágrimas
e o tamanho da minha fé.
— As fases da lua têm suas funções,
a poesia destrói os corações.