Há algo
maior para ser escrito. Não por mim; muito menos por mãos preguiçosas de poetas
pós-modernos que se dizem herdeiros legítimos da criatividade. Não sei quando a
poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias
dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida
de meu tempo.
Ontem
rezava ao túmulo dos meus pais: visitava a estante de minhas ambições cada vez
mais empoeirada e renegada por meus ideais. Hoje rezo para que surja um novo
Édipo para reinar sob a morte dos nossos genitores. Não estou desprezando as
forças que me impulsionaram. Muito pelo contrário, estou homenageando-as ao
desejar que alguém siga o mesmo caminho outrora trilhado por elas mesmas.
Estão tão
cegos que ainda querem entrar em uma luta que não diz respeito a nenhum de nós.
Pobres poetas, acaso não veem? O leviatã, cujas suas adagas penetram, há muito,
não tem mais vida...
Ainda não
vi o impulso de uma nova geração que pare de se preocupar em derrubar metralhas
e construa o seu legado. Existe muito que se desconstruir, não nego. Apenas me
preocupo com o futuro de uma era que não sabe erguer tijolos sólidos, mas
apenas querer que os muros não fiquem mais de pé. Mesmo que tais muros já não
protejam muita coisa.
O que
quero apenas é que alguém silencie minhas angústias. Não preciso de um
destruidor de ruínas, procuro alguém que venha do pó, pó me torne e pó se
finde. E, que, tão somente, após me satisfazer, surja um vendaval para renovar
o ciclo. Porque as brisas renovadoras não mais me empolgam: que o novo Édipo
venha galopando em furacões.
A emergência de um Édipo encontra-se no e-book Contradições Coerentes, disponível para download no blog.
ResponderExcluirLimerique
ResponderExcluirPoeta profundamente indignado
Propõe um Parnaso renovado
Chora as pitangas
Seca nas mangas
Que novo Édipo seja louvado!
nas asas de um Pégaso há de vir (ou como aquele Índio, num ponto equidistante)
ResponderExcluirabraço
Bravo, meu caro!
ResponderExcluirAmigo Fred,
ResponderExcluirÉdipos são raros, infelizmente, mas Sísifos são muito comuns.
Há comodismo com o atual paradigma. Pouco têm verve para destruir e reconstruí-lo.
Seu texto é admirável pela inteligência e sabedoria.
Abraços!
Amém!
ResponderExcluirOlá Fred, seu texto é belissimo enfocando a renovação poética com inteligência e madureza! Bravos!!Que esse Édipo venha sacramentar essa geração!
ResponderExcluirBeijos!!
Texto incrível. Vamos fazer uma campanha assim: "Mais Édipo, menos Narciso" rs...
ResponderExcluirBjo, amigão querido.
Me deu vontade e vim te ler... (escrevo repleto de cacofonia...)
ResponderExcluirPercebi inteligência e um não sei quê de indignação.
Felicidades.
Beijo carinhoso.
Será que alguém pode silenciar as angústias de quem assim se manifesta? Em seu excelente texto não há resquícios de esperança.
ResponderExcluirEu me contento com menos (rss). Nem a excelência é capaz de florir todos os campos. Abraços
Olá!
ResponderExcluirLindo texto para ser lido com calma e sabedoria.Absorvi cada palavra.
Grande abraço
se cuida
Virá que eu vi!
ResponderExcluirCajú, sumo forte, em verso e prosa
bj imenso, poeta
esse cabra tem futuro =]]
ResponderExcluirFred, acho que essa sua angústia é a mesma de quase todos os poetas que já existiram. Não se preocupe, só escreva :) beijos
ResponderExcluirEscrever exige entrega amorosa à palavra. Acabo de ler essa entrega.
ResponderExcluira salvação há de existir em um por vir :)
ResponderExcluirbeijo
Fred,penso que sua preocupação ocupa mais corações,mesmo o dos poetas medíocres,mesmo os que apenas querem destruir,mas saiba,meu amigo que ainda há esperança,com certeza!Um grande abraço!
ResponderExcluirPerturbador, mas fantástico.
ResponderExcluirque este Edipo não seja Ulisses
ResponderExcluirbeijo
[eu acredito que virá, a cuspir fogo...]
que hino/grito!
ResponderExcluirtenho certeza de que muitos gostariam de fazer o mesmo.
[eu me incluo.]
beijo
Só aqui "Não sei quando a poesia inventará os novos iconoclastas para derrubar os estigmas e as insígnias dos poetas medíocres que nos rodeiam, mas é urgente que alguém seja o parricida de meu tempo." já começou matando a pau.
ResponderExcluir"Galopando em furacões"... Amei do começo ao fim! Inspirador.
E não me conhece e à minha poesia?
ResponderExcluirGostei,
Maria luísa
Todos querem renovação, mas isso é uma angústia eterna...
ResponderExcluirParafraseando Nietzsche: "Se o universo, aqui da poesia, tivesse algum propósito, ele já teria atingido esse objetivo.
Logo o barato da poesia é voar, viajar, voar viajar...