Meus olhos pedem um abrigo
e já sei quem é a pessoa certa,
sei quem pode me acolher;
correrei em busca desse amigo
que vai me ajudar a viver.
Correrei mais rápido que o ar,
pois sei como o caminho é longo;
haverá obstáculos na estrada,
porém, nada vai me parar,
pois eu não vou parar por nada.
Eu seguirei o ritmo do vento,
nada poderá me prender,
só um acidente na avenida
que por um pequeno momento
paralisou a fonte da vida.
Quando tudo ganhou sentido
eu perdi o que mais importava;
parece-me que estou incompleta,
o meu coração está perdido,
assemelhando-se ao de um poeta.
Não sei como gira essa Terra,
só sei que não gira em harmonia;
acho que a injustiça é o motor,
pois no meio de toda essa guerra
um carro me tirou o meu amor.
O dia foi dezoito de julho,
deveria ser mais um dia calmo,
mas, foi um dia de muita agitação;
talvez foi por um mero orgulho
que não atendi aquela ligação.
Amei incomensuravelmente
o cidadão mais cheio de vida;
como se fosse planejado,
morreu do nada, de repente,
em um carro desgovernado.
Em meio a tanto medo e tristeza,
eu reúno todas as minhas forças
e mantenho a cabeça erguida;
pois eu tenho a plena certeza
que vale muito mais a vida.
Hoje guardarei na lembrança
nossos momentos mais felizes;
espero algum dia te encontrar
para bailar a última dança
que espero nunca terminar.
Todo o meu amor está em você,
mas hoje você não se encontra;
sinto você como uma brisa
que sempre insiste em percorrer
o meu coração de poetisa.