Trata-se do curioso grupo
dos produtores do saber
das ditas Ciências Humanas:
os mais eloquentes do mundo.
São elitistas verborrágicos
escondidos atrás dos livros
e das suas teorias insólitas:
muito se lê, pouco se faz.
Enclausurados por si mesmos,
divagam sobre metafísica
nos mais diversos idiomas:
são tão cultos quanto herméticos.
Estendem a bibliografia
com uma mera referência
que poderia ser dispensada:
vaidosos acima de tudo.
A simplicidade dos gênios
cede lugar à arrogância
intelectualmente nata:
sapiência idem prepotência.
Sob o seu teórico-tutor,
permutam carícias e críticas
para também serem citados:
lidos apenas por si mesmos.
Estudam problemas sociais
sem pensar na sociedade,
mas sim pensando no currículo:
incansáveis buscando títulos.
Eles enaltecem as massas
em suas produções acadêmicas,
mas são herdeiros das elites:
o poder flui do discurso.
Em uma distância segura,
estudam casos de pobreza
com total precisão científica:
mais estatísticas sem metas.
Ainda almejam mudar o mundo
mesmo sendo conservadores,
mesmo sem pôr os pés na rua:
são contradições coerentes.