O garoto, enfim, desperta:
a luz atravessa a janela
como se ferisse seus olhos
ao renascer de mais um dia.
Não foi uma noite insone,
o tic-tac ao seu lado,
nem um galo-tenor
que lhe trouxe o recado:
pois, mesmo sem aviso,
já estava acordado.
Sem ao menos piscar os olhos,
pôs-se a contemplar o sol,
desafiando os raios solares
com a coragem de quem sonha.
O campo de batalha
apenas aguardava
a guerra desse encontro:
aquele que brilhava
contra os olhos nus
daquele que sonhava.
Nos domínios do céu de fogo,
reinava a grande estrela, o sol,
que enviava tropas de raios
ao quarto do jovem ousado.
No quarto atacado,
a sombra resistia;
perdendo mais espaço,
aos poucos se rendia
para contra-atacar
no fim do mesmo dia.