O peso do balde
faz calo na mão
e a incerteza
faz no coração.
Ela evaporou
no sol do Sertão?
Mas aqui é Recife
e a sua região.
Como explicar
essa privação?
Tem algo errado
na distribuição.
Carrega o balde
da melhor maneira:
com as suas mãos
ou a cabeça inteira.
Antes que acabe
a água da torneira,
antes que caia
a gota derradeira.
Enche o balde
até a sua beira,
reserva a água,
necessidade primeira.
Água dentro do balde
fora do encanamento,
fora do chuveiro
a todo momento.
Problema social
que causa atormento
na cabeça, no juízo
e no pensamento
até de pessoas que
não têm conhecimento
desse problema,
desse sofrimento.
Um balde de água
para dois de suor,
essa é a proporção
que define melhor
(na verdade, seria
que define pior)
essa triste situação
que parece que só
quem resolve é a
Santa que desata nó.
Em vez de água,
da torneira, sai pó.
Água para balde,
para o que for usual:
para a casa e o corpo
com economia total;
para dentro do copo
(fingindo ser mineral).
Aqui, em Pernambuco,
terra de seca e canavial,
o racionamento d’água
é de forma desigual,
e muitos ainda dizem:
“falta d’água é normal.”