Um
rio que corre para o mar
tem
um caminho previsível,
pois
não dispõe de alternativas,
sempre
terá que se encontrar
com
outras águas receptivas.
A
minha vida é como as águas,
levará
sempre ao mesmo fim;
eu
sou como um rio caudaloso:
escuro
e poluído por mágoas
e
claro e limpo onde é valioso.
Deságuo
no mais triste oceano,
que
é a moradia de muitos como eu;
um
mar de grande imensidão
onde
está o medo dos humanos:
a
mais profunda solidão.
Eu
sou como a água da torneira:
útil
apenas por minutos,
depois
retorno ao encanamento;
minha
importância é passageira,
de
fixo, apenas o esquecimento.
Também
sou como a água pluvial:
eu
sempre vou caindo lá do alto
em
movimento decadente,
a
queda faz parte do normal,
já
fiz da derrota um parente.
Quem
me dera ser a cachoeira
para
ser destaque no rio;
ir
no embalo da correnteza
com
suas águas aventureiras
que
não conhecem a tristeza.
Contudo,
minha água é parada
e
triste como a de um açude:
não
ocorre nenhum movimento
e
jamais acontece nada,
só
sou sentida pelo vento.
Não
obstante, minha inércia é total
como
a água de um poço profundo,
onde
só se encontra a escuridão
e
o silêncio se torna banal
no
meio de toda essa solidão.
Porém,
a lágrima é o que sou:
é
triste, todavia é sincera;
represento
toda a pureza
de
quem, de fato, um dia já chorou
(seja
de alegria ou de tristeza).
Todo
rio corre para o mar
e
será para lá que eu vou;
eu
buscarei por algum cais
o
qual me permita ancorar
e
recuperar minha paz.